terça-feira, 1 de março de 2016

Girl on fire


"She's just a girl and she's on fire"


 A letra não poderia ser melhor. As palavras começaram a ecoar pelo auditório em notas perfeitas. Minha voz saia livremente de minha boca. Os movimentos vieram institivamente, os passos eram precisos e leves ao mesmo tempo e me deixei guiar pela emoção. Comecei a pensar no que deixei pra trás em Florianópolis, nas saudades imensas que sentia de Duda e do Big, em como eu me sentia triste por me mudar mais uma vez de cidade, como minha mãe parecia não se importar, pensava em como sua indiferença me doía. Me lembrei de eu nunca tive escolha de nada, as necessidades sempre mandavam. Eu me senti impotente. E a minha impotência diante de tudo me dava raiva, uma raiva muito grande. Eu queria gritar como me sentia e era exatamente isso que iria fazer.


 "This girl is on fire!", soltei. O público foi a loucura e fui aplaudida ainda no meio da música.
 Eu estava onde queria estar, fazendo o que eu queria fazer, do jeito que sempre quis. Estava no palco, em meu território. Me sentia completa, segura, feliz.


"... Everybody stands, as she goes by                                                    
Cause they can see the flame that's in her eyes                                    

Watch her when she's lighting up the night                                    
Nobody knows that she's a lonely girl                                                     
And it's a lonely world                  
But she gon' let it burn, baby, burn, baby..."

Cada palavra levava um pouco da minha raiva, cada frase tinha um pouco de mim.
 Ao final da última nota, respirei fundo e expirei. Pronto, me sentia mais leve. Olhei novamente para a platéia, eles me olhavam de volta atentos ao meu próximo movimento. Eu estava imensamente grata por aquele momento. Sorri de felicidade e me curvei em agradecimento. Aplausos e mais aplausos. Não havia como eu me sentir melhor.

Houveram outras apresentações, mas eu estava num estado de êxtase intenso, não prestei atenção em nenhuma delas. Apenas repassava as cenas de minha apresentação na mente várias e várias vezes, tentando acreditar que aquilo aconteceu mesmo, tentando fazer a fixa cair, tentando fazer aquele sentimento de extrema felicidade, que senti poucas vezes em minha vida, ficar em mim. Imaginei que queria poder guardar aqueles meus minutos no palco e como estava me sentindo naquele momento numa caixinha pra deixar ao lado da minha cama e poder abrir sempre que quisesse relembrar, ou apenas me sentir melhor. Pensando bem, acho que não seria preciso. Já os tinha em minha memória, nunca iria esquecer e isso era o suficiente.



2 comentários:

  1. Aai que lindo!! Estou em uma fase tão bad que quero logo me encontrar e sentir essa felicidade que o texto descreve.

    Bom, te indiquei para receber o selo virtual Prêmio Dardos Bloggers. Vai lá ver!!

    http://umsimplesprazer.blogspot.com.br/2016/05/selo-virtual-premio-dardos.html

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