domingo, 14 de maio de 2017

Back By Popular Demand*


  
Engraçado como perdemos fácil a noção de tempo. Engraçado como meses às vezes são   anos e anos em segundos passam;  e eu não me atento. Engraçado como os dias se vão como vento, como num salto de  paraquedas:  4 mil metros parecem muito, mas se passam em 6 minutos;  assim como os 409 dias de hiato desde o último post.  409 dias  que se passaram como num salto em queda livre, mas   que  não consigo precisar  em quanto tempo.  
  
 Eu   simplesmente   pisquei. 
  
 E quando abri meus olhos tinha 20 anos. 

 Estava na faculdade. Publicidade e propaganda. PUC. Um violão novo. Aula de canto. Independência. Pessoas novas. Amigos novos. E alguns no passado... Um amor e vários amores. Uma pessoa e várias versões. Novas ideias. Novos pensamentos. Conhecimento e autoconhecimento. Um livro ainda  não terminado. Outras músicas. Os mesmos antigos poemas. Novas sensações... Mudanças. 
  
    E ainda sinto o vento no meu rosto.



*(De Volta Por Apelo Popular -rs-) We  Made   You  -  Eminem

terça-feira, 1 de março de 2016

Girl on fire


"She's just a girl and she's on fire"


 A letra não poderia ser melhor. As palavras começaram a ecoar pelo auditório em notas perfeitas. Minha voz saia livremente de minha boca. Os movimentos vieram institivamente, os passos eram precisos e leves ao mesmo tempo e me deixei guiar pela emoção. Comecei a pensar no que deixei pra trás em Florianópolis, nas saudades imensas que sentia de Duda e do Big, em como eu me sentia triste por me mudar mais uma vez de cidade, como minha mãe parecia não se importar, pensava em como sua indiferença me doía. Me lembrei de eu nunca tive escolha de nada, as necessidades sempre mandavam. Eu me senti impotente. E a minha impotência diante de tudo me dava raiva, uma raiva muito grande. Eu queria gritar como me sentia e era exatamente isso que iria fazer.


 "This girl is on fire!", soltei. O público foi a loucura e fui aplaudida ainda no meio da música.
 Eu estava onde queria estar, fazendo o que eu queria fazer, do jeito que sempre quis. Estava no palco, em meu território. Me sentia completa, segura, feliz.


"... Everybody stands, as she goes by                                                    
Cause they can see the flame that's in her eyes                                    

Watch her when she's lighting up the night                                    
Nobody knows that she's a lonely girl                                                     
And it's a lonely world                  
But she gon' let it burn, baby, burn, baby..."

Cada palavra levava um pouco da minha raiva, cada frase tinha um pouco de mim.
 Ao final da última nota, respirei fundo e expirei. Pronto, me sentia mais leve. Olhei novamente para a platéia, eles me olhavam de volta atentos ao meu próximo movimento. Eu estava imensamente grata por aquele momento. Sorri de felicidade e me curvei em agradecimento. Aplausos e mais aplausos. Não havia como eu me sentir melhor.

Houveram outras apresentações, mas eu estava num estado de êxtase intenso, não prestei atenção em nenhuma delas. Apenas repassava as cenas de minha apresentação na mente várias e várias vezes, tentando acreditar que aquilo aconteceu mesmo, tentando fazer a fixa cair, tentando fazer aquele sentimento de extrema felicidade, que senti poucas vezes em minha vida, ficar em mim. Imaginei que queria poder guardar aqueles meus minutos no palco e como estava me sentindo naquele momento numa caixinha pra deixar ao lado da minha cama e poder abrir sempre que quisesse relembrar, ou apenas me sentir melhor. Pensando bem, acho que não seria preciso. Já os tinha em minha memória, nunca iria esquecer e isso era o suficiente.



sábado, 30 de janeiro de 2016

Em suspenso

Imagine que você está deitada em sua cama, dormindo, sonhando. De repente você começa a levitar, seu corpo fica a 3 metros de altura de sua cama, seus braços e pernas pendem pra baixo. Você continua inconsciente, mas já não sente nada. Não sente sua cama, seu travesseiro, nem seu cobertor, que acabou de escorregar por teu corpo. Você sabe que algo está errado. Então acorda, abre os olhos. Imediatamente se assusta, sua respiração acelera, seu pulso aumenta, você está em alerta. Tenta se mover mas não consegue. Tenta descer e voltar para o conforto mas algo a paralisa por completo. Você não pode se mexer, não pode gritar. Apenas respirar.
 
Você está em suspenso.
 
O que vai fazer se levita longe de tudo? O que fazer se não pode chamar por ninguém, se ninguém te vê, se é só você por você? O que vai fazer se não pode acelerar o tempo para que o pesadelo acabe? Então você continua a três metros de sua cama, tão perto e tão longe de seu sono tranquilo. Você continua assustada, sem opções, sem saída. Mas respira. E respira rápido, descompassadamente, portanto se cansa. Está ofegante. Exausta por querer mudar algo com a força, quando é exercida sobre você uma forte pressão, que tira sua capacidade de movimentar um músculo, mesmo que muito tente. Um último suspiro cansado.
 
Então você finalmente aceita que não pode se mover, não pode falar, gesticular, apenas pensar. Pensando então reconhece que de nada adianta lutar. Algo dentro de você te diz que precisa esperar, que o pesadelo vai passar, que precisa levitar e sentir medo para reconhecer e dar valor quando a calmaria e sonhos bons retornarem. Precisa confiar no tempo e estar de acordo com ele. Logo a inspiração vai se tornando mais profunda e a expiração mais lenta. Sente seu pulso voltar ao normal aos poucos. Sua calma retorna.
 
E você ainda está em suspenso.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Reflexões de um domingo

Por que você se preocupa com o que os outros vão pensar? Por que precisa sempre parecer forte, mesmo quando não se sente assim? Por que veste uma máscara todos os dias? Esta máscara que está dentro dos padrões aceitáveis é quem você realmente é? Por que deixa que o medo te domine tantas vezes? Por que permite que padrões estabelecidos delimitem até onde você pode ir? Você sabe até onde pode ir? Sabe de sua capacidade? Ou esqueceu dela para deixar que alguém lhe diga quanto você pode? Você sabe o quanto você pode, o quanto você tem? Sabe quem você é?

domingo, 10 de janeiro de 2016

O beijo




    Eu não estava totalmente consciente, totalmente sã. Havia bebido apenas duas cervejas, mas já sentia minha cabeça girar. Ainda conseguia raciocinar, mas não com completa clareza. As batidas das músicas entravam em meus ouvidos como ondas vibrantes e fortes e se transformavam em energia pra que meus pés pudessem pular incansavelmente e minhas pernas e braços pudessem então dançar, livres. As cores em pó que eram jogadas pelas pessoas ao meu redor coloriam o céu claro e me faziam gritar mais alto, viajar mais longe, mais fundo. O ambiente todo era perfeito. Eu estava quase no auge da diversão, quase no clímax, quando senti que deveria chegar mais perto do palco.

  Caminhei por entre as pessoas apenas seguindo a minha intuição, quando de repente avistei ele. Em meio à multidão, à alguns metros de mim, ele   parecia estar procurando por algo. Sem pensar e sorrindo, fui ao seu encontro.

   Ele se surpreendeu ao me ver. Eu também estava feliz por reencontrá-lo. Não sabia o que esperar e era esse o fator mais excitante. Por um segundo eu estava apenas olhando-o nos olhos, sentindo a confusão prazerosa em minha cabeça por ver tão de perto algo inesperado. E num piscar de olhos, já estava em seus braços.

   Seu beijo era urgente, como se tivesse esperado muito tempo por aquilo. Ele me apertava com suas mãos e meus lábios sentiam os dele tão quentes que quis nunca mais me soltar. E não me soltaria nem se quisesse.

   Após um último selinho, cegos por tanta e intensa emoção, prometemos um ao outro um reencontro.

   Nunca mais o vi.

sábado, 31 de outubro de 2015

Meu livro

Hello!

Estou de volta depois de quase um ano... Realmente senti saudades de escrever aqui. Mas hoje não vim escrever sobre sonhos ou coisas que aconteceram comigo. Hoje eu vim postar um pedacinho do livro que estou escrevendo pra obter o feedback de vocês sobre ele. Sinceramente, eu estou escrevendo apenas por prazer e não tenho grandes pretensões com meu livro, mas se você ler o parte que vou postar até o final, ou ler apenas um pedacinho que seja, peço que deixe nos comentários sua opinião sincera. Se amou, se gostou, se não gostou e por que não gostou... Elogios e críticas construtivas serão muito bem vindas!
Bom, aí vai:

CAPÍTULO I
"As vezes a vida nos presenteia com dilemas e infelizmente ou felizmente, o espaço que divide a razão da emoção neles é tão pequeno que quase não existe. Eis o meu maior e mais complexo dilema: O amor."
Era fim de tarde. O sol se punha no horizonte logo a minha frente. Eu estava sentada num banco à beira de um penhasco, sozinha. Haviam árvores e flores de diversas espécies e cores por todos os lados, posicionadas de um jeito em que formam um contraste incrivelmente harmonioso. A brisa passava e trazia consigo uma paz que me fazia descansar. Balançava as folhas das árvores produzindo um som mágico que não me deixava pensar em mais nada, esse era o único som que eu ouvia. Fechei os meus olhos, inspirei e expirei profundamente. Pela primeira vez na vida eu não me senti deslocada como vinha me sentindo em todos os meus dezenove anos: como se eu fosse totalmente diferente da maioria das pessoas com quem eu convivia, como se eu não pertencesse ao lugar onde eu vivia. Pela primeira vez eu me senti confortável e estava tudo bem.
Decidi continuar com os meus olhos fechados. Eu queria sentir aquele lugar, sentir a paz, a felicidade que ele me trazia. Sim, eu poderia ficar aqui pra sempre, pensei, quando de repente senti algo cortar por segundos os raios de sol que batiam em meu rosto, como se alguém tivesse passado bem na minha frente, uma sombra. Mas eu estou sozinha aqui, questionei intrigada. Bom, deve ter sido um pássaro, me tranquilizei. Respirei fundo e tentei me concentrar novamente no silêncio. Não consegui. Tinha algo ou alguém ali, bem ao meu lado, eu sabia, eu sentia. Ok, eu vou abrir os meus olhos e não vai ter nada aqui. Eu estou sozinha e vai ficar tudo bem. Abri lentamente os meus olhos. À minha frente, vi outra vez o pôr-do-sol, que agora estava quase terminando. Por alguns instantes me senti novamente hipnotizada por essa imagem, mas me lembrei que eu poderia estar acompanhada e me senti incomodada com essa possibilidade. Eu tinha que tirar essa dúvida.
Continuei olhando pra frente, mas concentrada para encontrar o que ou quem poderia estar ali, estremeci ao pensar que poderia estar sendo observada. E então pelo canto do olho eu vi. Sim, tinha mais uma pessoa ali, sentada bem ao meu lado. Me assustei, minha respiração acelerou, meu coração poderia saltar do peito de tão rápido que batia. Não sei se consigo, mas eu preciso saber quem é, pensei. Reuni toda a coragem que ainda me restava e virei o meu rosto para ver quem era.
Ai meu Deus! Me surpreendi. Era um garoto. Estava a admirar o pôr-do-sol e não se incomodou com o fato de eu estar o observando. Eu o via apenas de perfil e era o suficiente para concluir que ele era lindo. Eu podia ver o sol através de seus olhos verdes, ele parecia estar posando para uma foto. Mil perguntas me vieram a cabeça: Quem é ele? Por que ele está aqui? Meu instinto me diz que eu devo correr pra bem longe, mas por que eu simplesmente não consigo? Aliás, que sentimento estranho é esse que me faz querer esse cara? De repente, vi o rosto dele buscar o meu, lentamente. Fiquei super apreensiva, senti como se meu coração já estivesse na garganta e pensei em fugir dali, mas algo em mim não permitiu que eu fizesse isso, algo em mim queria ficar ali. Então nenhum músculo meu se mexeu, eu mal conseguia piscar, eu estava apavorada mas, acima de tudo, eu queria ficar, eu precisava ficar. E então depois do que pareceu uma eternidade, finalmente nossos olhares olhares se encontraram. Meu Deus! Eram de um verde incrível que me fuzilavam, me hipnotizavam. Eu não conseguia prestar atenção em qualquer outra característica física desse garoto. Nem cor da pele, cor dos cabelos ou formato do rosto. Meus olhos ficaram presos apenas no seu olhar. Senti uma mistura de medo e desejo crescendo dentro de mim. Eu já havia trocado olhares com outros caras, mas não de um jeito tão intenso. Aquilo era diferente, era mágico! Dúvidas e mais dúvidas invadiram a minha mente enquanto eu não conseguia me desviar do meu fascínio. A única coisa que eu sabia naquele momento era que eu estava completamente apaixonada por aqueles olhos, por aqueles lindos olhos verdes.
Naquele momento, por alguma razão, eu me acalmei, não sentia mais medo. Estava tudo bem. Sim, eu poderia ficar aqui para sempre, pensei, quando de repente comecei a ouvir vozes intrusas que tentavam me arrancar do penhasco. Eu não queria, mas sabia que teria que ir embora e deixar aquele lugar maravilhoso e o cara misterioso por quem eu estava perdidamente apaixonada.
Me senti puxada pra cima, relutei - NÃO, EU NÃO QUERO IR! ME DEIXA FICAR, ME DEIXA FICAR!
- Márjorie? Márjorie! Está tudo bem? - Abri os meus olhos e vi a minha mãe com aquela cara de preocupada a'la dona Helena. - Ah, é você... - Eu disse, não conseguindo esconder o tom de frustração em minha voz. Era incrível como minha mãe conseguia saber se eu estava bem ou não apenas ouvindo uma frase minha, e também era incrível como ela mudava drasticamente a expressão facial em fração de segundos, de dona Helena preocupada à dona Helena irônica. - Esperava que fosse quem? - Ela rebateu num tom sarcástico e áspero. - Eu realmente não sei como você consegue dormir tanto Márjorie. - Se levantou, foi até a janela do meu quarto e abriu as cortinas. Os inesperados raios de sol irritaram os meus olhos e eu os fechei com força por alguns instantes. - Bora levantar por que a gente ainda tem muita coisa para embalar! - Ela falou no seu tom de voz alterado de sempre e saiu do meu quarto. Não mãe, eu não quero
embalar coisa nenhuma por que eu estou simplesmente odiando essa ideia de mudança, pensei. Eu não queria levantar da cama, eu não queria embalar nada, eu não queria me mudar. Eu só queria voltar para aquele jardim e ver de novo aqueles olhos. Eu só queria que ficasse tudo bem de novo.
Sentei-me na cama, passei a mão por entre meus cabelos e comecei a me lembrar daquele lugar maravilhoso, daquele cara, daqueles olhos. Respirei fundo e então caiu a ficha: Nada foi real, foi um sonho. Foi só um sonho.

E aí, o que achou? Please, dê sua opinião. Comente!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O sonho


Entrei no ônibus apenas seguindo a rotina. Seria um dia como outro qualquer, até que vi alguém muito parecido com ele de relance. Estremeci. "Será que é ele?" pensei. Paguei a passagem e então alguém gritou meu nome. Meu coração acelerou, fiquei nervosa e me virei pra ver quem era. Era uma mulher. Me tranquilizei. Ela estava de braços abertos, a cumprimentei e começamos a conversar. Me distraí por alguns poucos segundos com a conversa, quando de repente outra pessoa disse meu nome. Mais uma vez meu coração acelerou, fiquei apreensiva. 

Algo dentro de mim sabia quem era.

Era ele. Estava sorrindo, um sorriso radiante! Eu, sem nem me despedir da mulher com quem conversava, fui em direção à ele. Nos abraçamos e enquanto eu o sentia tão perto, meu coração palpitava mais forte. E então eu desejei ficar ali pra sempre, naqueles braços. Sentei-me ao seu lado e começamos a conversar com toda a intimidade que o tempo nos deu. 

Os minutos passavam rapidamente, a conversa evoluía e então, num ato impensado, coloquei as minhas pernas sobre as dele. Neste mesmo segundo, a proximidade e o calor de nossa pele me fez perceber que meu ato inocente poderia ter outras consequências. Fiquei nervosa. Nos olhamos. Um desejo já conhecido por nós dois renascia e um encanto começou a nos envolver enquanto ficávamos presos em nossos olhares. Eu queria mais. Ele também. Mas repentinamente, o olhar dele se desviou, passou a fitar alguém atrás de mim. A expressão em seu rosto se tornou surpresa e passou revelar algo parecido com culpa. Virei meu rosto para ver quem era. Mas sem explicação, minha visão se tornou embaçada. Não consegui descobrir quem era, mas pude sentir que aquela pessoa não gostava do que via. O clima que antes era agradável ficou tenso.

Acordei.

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